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Pesquisa desenvolve técnicas para produção de teca em sistemas ILPF

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Os agricultores agora possuem um pacote completo de técnicas de manejo para utilizar a teca (Tectona grandis) como componente arbóreo em sistemas integrados lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Esse conhecimento se deve, principalmente, ao pioneirismo de produtores como Arno Schneider, de Santo Antônio do Leverger (MT), e Antônio Passos, de Alta Floresta (MT), que apostaram na utilização dessa árvore em sistemas silvipastoris até mesmo antes que houvesse informações técnicas. ou pesquisas que comprovem sua viabilidade. Os erros e acertos cometidos por eles em cerca de 15 a 20 anos e as pesquisas realizadas na última década possibilitaram abrir caminho para novos produtores que pensam em utilizar as espécies florestais na ILPF.

As experiências desses pioneiros, os resultados por eles obtidos e as pesquisas realizadas pela Embrapa Agrossilvipastoril (MT) estão reunidos em um capítulo dedicado ao uso da teca em sistemas ILPF que acaba de ser publicado no livro “Teca (Tectona grandis L .f.) no Brasil” (ver tabela abaixo). A publicação reúne, pela primeira vez, recomendações que vão desde o preparo da área para plantio de mudas até a condução de árvores com desbaste e poda (poda), passando pela definição de espaçamentos e configuração de fileiras de árvores.

O trabalho realizado pelos pesquisadores da Embrapa Maurel Behling e Flávio Wruck mostra que, ao planejar seu sistema de ILPF, os produtores devem definir se utilizarão o componente arbóreo como complemento ou substituição de renda.

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“Nos sistemas ILPF, com foco na pecuária, a implantação de linhas simples facilita o manejo das árvores, exigindo menos mão de obra. Por outro lado, o sistema pode ser configurado para favorecer a produção de teca com maior densidade de árvores por área. Nessas configurações, o carro-chefe do sistema passa a ser a teca e pode-se supor que as perdas de produtividade nos componentes agrícola ou pecuário serão compensadas pela receita gerada a partir das árvores, ou seja, há substituição de receitas”, explica Behling .

livro sobre teca

O livro Teca (Tectona grandis L. f.) no Brasil foi publicado pela Embrapa Florestas e está disponível para download gratuito. A publicação reúne em seus 18 capítulos um grande acervo de informações sobre a cultura da teca no país. Os editores técnicos do trabalho foram os pesquisadores Cristiane Reis, Edilson de Oliveira e Alisson Santos e contou com a participação de 47 autores da Embrapa, universidades, empresas privadas e outras instituições parceiras.

Pesquisas realizadas mostram que, considerando o objetivo de utilização de madeira para serrarias, atividade em que a teca tem seu maior valor agregado, o plantio deve ser feito em fileira única com espaçamento de 4 metros entre plantas. Caso o plantio seja feito em fileiras duplas ou triplas, deve-se adotar o arranjo quincunce, ou seja, com árvores em fileiras vizinhas formando um triângulo. Isso evita a concorrência lateral. A distância entre as linhas varia de acordo com o interesse do produtor e seu maquinário, com recomendação mínima de 16 metros para manter a entrada de luz na pastagem.

teca-ilpf

Maior crescimento da ILPF

As árvores de teca na ILPF apresentaram maior crescimento do que as árvores cultivadas em plantações homogêneas. Dados medidos na Fazenda Gamada, em Nova Canaã do Norte (MT), mostraram que, aos 11 anos de idade, as árvores do sistema ILPF eram mais altas e com diâmetro à altura do peito (DAP) 52% maior que as do plantio homogêneo em parcela instalada ao lado.

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Dependendo do número de plantas por hectare, será necessário realizar cortes seletivos prévios para aumentar a entrada de luz no sistema e reduzir a competição entre as árvores. Nos primeiros anos, a madeira desse desbaste pode ser aproveitada para energia ou fabricação de postes, mas aos 12 anos é possível retirar madeira destinada à serraria.

Para obter o melhor desempenho das árvores, os pesquisadores da Embrapa recomendam a utilização de mudas clonais e não daquelas produzidas por sementes. Medições feitas comparando os dois tipos de uso mostram que as árvores clonadas cresceram 28% mais em DAP, 21% mais em altura total e 80% mais em volume total.

“A expectativa no sistema silvipastoril, com a utilização de clones de teca, é realizar o corte raso das árvores entre 18 e 20 anos”, diz Behling. Com a utilização de mudas seminais, a expectativa sobe para 25 anos.

Outra vantagem da utilização de clones é que, por crescerem mais rapidamente, essas mudas permitem antecipar a entrada do gado no sistema sem correr o risco de danificar ou quebrar as plantas. A recomendação é que os animais mais jovens entrem em pastagens sombreadas por teca quando as árvores tiverem DAP entre 3 e 4 centímetros.

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Recomendações de direção

Para obter o melhor retorno financeiro com a teca em sistemas integrados, o produtor deve estar atento à gestão do sistema. Para isso, os pesquisadores recomendam a poda das árvores para retirar os galhos baixos e evitar a formação de nós na madeira.

Cuidados com formigas, com ervas daninhas concorrentes e atenção para evitar deriva de herbicidas são outros pontos que devem ser observados, principalmente nos anos iniciais. Além disso, a prevenção contra o risco de incêndios deve estar presente na agenda da fazenda.

A demanda por teca é maior que a oferta

A Teca é uma madeira de grande valor agregado e com amplo mercado para utilização na produção de móveis, barcos e pisos. A procura global desta madeira é maior do que a oferta, tanto através de plantações comerciais como de extracção em áreas onde a espécie é endémica, como a Ásia.

O alto valor agregado possibilita custos de frete, o que permite o cultivo em regiões com logística mais complicada. Porém, o longo tempo para retorno do investimento acaba desestimulando o cultivo. Desta forma, os sistemas de integração são uma alternativa para amortizar custos, uma vez que é possível obter rendimentos das culturas e da pecuária enquanto as árvores crescem.

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No aspecto econômico, estudos realizados pela Embrapa Agrossilvipastoril em Unidades de Referência Tecnológica (URT) mostraram que aquelas que utilizam teca foram as mais rentáveis, com rentabilidade chegando a R$ 3,70 para cada R$ 1 investido e valor presente líquido anual de R$ 2.175,71 por hectare /ano.

“A teca é uma das espécies exóticas com maior potencial econômico para utilização em sistemas integrados no Brasil. A receita adicional gerada, o valor da propriedade, a biodiversidade criada e inúmeras outras vantagens não deixam dúvidas quanto aos benefícios deste sistema para os proprietários e para o meio ambiente”, afirma Maurel Behling.

Porém, a pesquisadora alerta sobre os cuidados necessários para obter resultados positivos com o cultivo da teca. “Apesar do mito de que ‘a teca enriquece o seu plantador’, é preciso ter em mente que o mercado da madeira de teca existe, é atrativo e seguro. Porém, o lucro só será obtido com o uso de tecnologias adequadas, cuidados diferenciados e alta qualidade em todas as operações florestais e logísticas da cadeia de abastecimento. Não basta apenas plantar árvores de teca de qualquer forma no sistema integrado e esperar que elas cresçam para que os lucros fluam para o produtor. É preciso investir em tecnologia, insumos adequados, operações corretas e eficientes, monitoramento fitossanitário constante e garantir produtividade e qualidade da madeira durante todo o ciclo de rotação”, enfatiza o pesquisador.

A estimativa é que em Mato Grosso a área de sistemas silvipastoris com teca seja de 4 mil hectares. No Brasil, a área plantada com essa espécie, incluindo culturas homogêneas, é de 94 mil hectares.

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Software auxilia na gestão da Teca na ILPF

Os produtores interessados ​​em plantar teca na ILPF contam com o apoio de um software livre, desenvolvido pela Embrapa Florestas, que visa apoiar atividades de manejo, análise econômica e planejamento do componente florestal.

O SisILPF Teca funciona como um simulador no qual o usuário pode testar, para cada condição de clima e solo, todas as opções de manejo de teca na ILPF. Segundo o pesquisador da Embrapa Edilson Batista de Oliveira, “o produtor pode fazer previsões da produção de madeira nas condições presentes e futuras, fazer análises econômicas e decidir sobre a melhor alternativa para conduzir seu plantio”. Essas simulações permitem quantificar a madeira produzida por tipo de uso industrial, desde seu uso para energia, até toras de diferentes tamanhos para serraria na produção de blocos e placas, e exportação. “Com isso, o produtor poderá manejar suas florestas para a produção de madeira direcionada ao uso mais rentável”, afirma o pesquisador.

Outro aspecto importante é que o software calcula o carbono capturado pelas árvores, em equivalentes de dióxido de carbono e metano, e gera gráficos com estimativas do número de animais que podem ter emissões de metano compensadas pelas árvores ILPF. “Esses sistemas estão em alta e fazem parte da contabilidade do país para mitigar os impactos das mudanças climáticas. O SisILPF_Teca é uma importante ferramenta de apoio ao planejamento e gestão das plantações”, finaliza Oliveira.


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