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sábado, fevereiro 4, 2023
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Estudo aponta oportunidades de redução de emissões de carbono na produção de soja do Matopiba

A agricultura brasileira oferece oportunidades para reduzir as emissões de carbono por meio do aprimoramento de suas práticas. Dentro do setor, a soja desempenha um papel estratégico para a balança comercial e para a imagem do país na economia mundial. Para mostrar a relação entre a adequação das práticas agrícolas e o sequestro de carbono no solo, a Fundação Solidaridad lança um estudo inédito que traça um retrato do balanço de carbono na produção de soja no Matopiba, região entre os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, no bioma Cerrado.

O estudo “Balanço de carbono na produção de soja MATOPIBA” é apoiado pelo Land Innovation Fund (LIF), a Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (Norad), por meio da Iniciativa Internacional de Clima e Florestas da Noruega (NICFI), e parceria da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA). A pesquisa foi realizada em colaboração com o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).

De acordo com a coordenadora de projetos da Fundação Solidaridad, Juliana Monti, o estoque de carbono em áreas com vegetação nativa e os cenários melhorados foram analisados ​​em função das práticas de manejo adotadas e mudanças no uso da terra nas áreas cultivadas. “Os dados revelam informações e oportunidades importantes para produtores e empresas do setor, comprovando que é possível manter a lucratividade com a implantação de práticas agrícolas de baixo carbono”, afirma.

Cinquenta fazendas da região do MATOPIBA foram analisadas em 22 municípios, com a presença de diferentes tipos de vegetação de Cerrado. Juntos, eles somam mais de 155 mil hectares de soja, o equivalente a 155 mil campos de futebol. A metodologia de cálculo das estimativas de emissões e sequestro de carbono da produção de soja na região foi dividida em quatro categorias principais: emissões da produção agropecuária, emissões e sequestro por uso da terra, estoques de carbono contidos em áreas com vegetação nativa e líquidos de emissões, também denominados balanço de carbono.

A estimativa de emissões de carbono resultou em 150.575,90 tCO2e/ano na safra 2019/2020. Desse total, cerca de metade foi originada pelo uso de corretivos agrícolas, seja por calagem ou aplicação de gesso. A segunda maior fonte de emissões foi o uso de fertilizantes nitrogenados, que contribuiu com 21,5% das emissões totais, sendo 60,9% provenientes da aplicação de uréia. “O uso desses insumos está mais associado à safrinha, principalmente o milho”, destaca Juliana Monti. As outras fontes de emissões nas fazendas foram o uso de combustíveis nas operações agrícolas (17%), decomposição de resíduos agrícolas (5,5%) e consumo de energia elétrica (0,5%).

Balanço de emissões

Da área analisada, o total de 38.653 ha foi destinado à segunda safra. A produtividade média foi de 58 sacas/ha/ano (3,5 ton/ha/ano), enquanto a da segunda safra foi de 98 sacas/ha/ano (5,9 ton/ha/ano). Considerando o balanço de carbono, chega-se a -92.085,73 tCO2e/ano, pois o sequestro de -242.660,63 tCO2e/ano, originado principalmente em fazendas que adotam o Sistema Plantio Direto (SPD), compensa 161,2% das emissões. Os valores médios obtidos das emissões de carbono por área foram de 0,97 tCO2e/ha/ano e 0,02 tCO2e/saca/ano de soja produzida na safra 2019/2020.

Em relação ao balanço de carbono por área, o resultado médio foi de -0,59 tCO2e/ha/ano e -0,01 tCO2e/saca/ano de soja produzida, com sequestro médio por área de -1,56 tCO2e/ha/ano. “O que vimos é que há potencial para melhorar as emissões e que essas práticas disponíveis, como rotação de culturas e SPD, podem ser adaptadas à realidade de cada região, otimizando o uso de recursos naturais e financeiros”, explica. Juliana.

As fazendas avaliadas estão localizadas no bioma Cerrado e, para mensurar o estoque de carbono da vegetação nativa, foram contabilizadas as áreas de Reserva Legal (RL) e aquelas em que havia Áreas de Preservação Permanente (APPs) e áreas de floresta excedente. A estimativa de estoques de carbono com vegetação nativa nas fazendas avaliadas foi de 3.059.577 toneladas.

Oportunidades na gestão

A equipe responsável pelo projeto mediu cenários de balanço de carbono com base em mudanças no uso e manejo da terra, que implicam em novos valores de sequestro e emissão de carbono, de acordo com os aspectos de cada um. Foram definidos quatro cenários: Cerrado para Sistema de Plantio Convencional (SPC), Cerrado para SPD, Pastagem Degradada para SPD e SPC para SPD. Cada um foi aplicado nas fazendas, possibilitando entender as mudanças em cada uma e comparar com os valores obtidos na linha de base.

Para os quatro estados do MATOPIBA, a tendência observada foi a mesma: apenas o último cenário, em que o SPD é implantado na propriedade, apresenta um sequestro maior que o da linha de base. A mudança de SPC para SPD estendida a toda a região indica um potencial de sequestro de aproximadamente -357,6 mil tCO2e/ano, equivalente a uma redução de 0,06% das emissões nacionais do setor agropecuário no ano de 2020, que foi de 567,7 milhões de tCO2e/ano .

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Redução de impactos

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De acordo com a especialista em carbono da Fundação Solidaridad Camila Santos, análises como essas indicam caminhos para os produtores rurais reduzirem os impactos ambientais gerados por suas atividades, além de fornecer informações para que as decisões sejam pautadas por prioridades locais e globais. “No entanto, é importante que mais pesquisas relacionadas ao tema sejam realizadas nas regiões produtoras, para que seja possível aproximar os resultados da realidade de cada região. Os solos do Cerrado são diferentes, por exemplo, do solo dos Pampas, e é importante identificar essas diferenças e traduzi-las no modelo”, enfatiza.

A metodologia apresentada no estudo e a análise do balanço de carbono na Bahia integrarão a calculadora do balanço de carbono do Sistema de Inteligência e Monitoramento Ambiental (SIMA), plataforma desenvolvida pelo SENAI CIMATEC, com apoio do Fundo de Inovação Terrestre e gerenciada pela AIBA. Com 36,9 milhões de hectares de soja, o Brasil é o maior produtor mundial do grão com 128,8 mi/ton. Na safra 2019/2020, por exemplo, o país foi responsável por 38% da produção mundial.



Fonte: Agro

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