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sábado, fevereiro 4, 2023
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Coexistência entre abelhas e soja. COMPREENDO

A Embrapa e a Basf assinaram um acordo de cooperação técnica e financeira para validar um modelo tecnológico, a partir da safra 2022/2023, baseado em boas práticas agrícolas e apícolas. O objetivo do projeto, com duração de três anos (2022-2025), é promover a convivência harmoniosa entre sojicultores e apicultores, a partir de ações conjuntas em três importantes regiões brasileiras para a produção de soja no Brasil: Paraná (Maringá), Mato Grosso do Sul (Dourados) e Rio Grande do Sul (São Gabriel). A partir da validação de um protocolo de boas práticas agrícolas, as instituições pretendem comprovar que o desenvolvimento de atividades em espaços integrados pode ser benéfico para ambos os setores.

“Para a Embrapa, é fundamental propor ações em parceria que promovam a boa convivência e estimulem o respeito às diferentes atividades do campo, com foco na sustentabilidade dos sistemas produtivos. No caso específico da relação entre sojicultores e apicultores, é importante valorizar a responsabilidade mútua, o que significa respeitar limites além de suas áreas de cultivo ou propriedades”, destaca o chefe-geral da Embrapa Soja (PR), Alexandre Nepomuceno.

De acordo com o gerente de Gestão e Sustentabilidade da Divisão de Soluções Agrícolas da Basf, Maurício do Carmo Fernandes, a empresa estabeleceu como meta aumentar em 7% ao ano a participação de soluções que contribuem significativamente para a sustentabilidade, além de continuar fortalecendo as ações que promover o uso correto e seguro de soluções com boas práticas agrícolas. “Acreditamos que investir nessa iniciativa contribuirá para o legado da agricultura. Todos podem se beneficiar dessa relação de produção de soja e mel. A Basf apoia e promove esse trabalho conjunto, por isso nos unimos à Embrapa nesse desafio. para o equilíbrio ideal entre a produção agrícola e o meio ambiente”, afirma Fernandes.

Para acompanhar as atividades dessa iniciativa, o pesquisador da Embrapa Soja Décio Gazzoni explica que será criado um protocolo de Boas Práticas Agrícolas e Apícolas, cuja função é orientar as ações dos grupos de trabalho de soja e apicultores participantes. “Nossa ideia é verificar a adequação deste protocolo, fazer os ajustes necessários, validar sua viabilidade nas microrregiões geográficas estabelecidas, durante as safras de soja 2022/2023 e 2023/2024”, enfatiza.

Uma vez validados, os resultados comporão uma cartilha contendo um conjunto de práticas sustentáveis ​​para produção de soja com baixo impacto na apicultura. A cartilha também conterá boas práticas apícolas para instalação de apiários próximos às lavouras de soja. Outras estratégias de transferência de tecnologia e comunicação serão adotadas ao longo do projeto, como a produção de conteúdo em vídeo e materiais impressos. “As ações visam compartilhar um conjunto de boas práticas para o cultivo da soja, principalmente quanto ao uso de medidas fitossanitárias e boas práticas apícolas, gerando recomendações básicas aplicadas à realidade do campo”, explica Gazzoni.

Projeto oferece treinamento para soja e apicultores em técnicas sustentáveis
O projeto foi organizado para contar com a participação de grupos de apicultores que possuem até cinco apiários e de sojicultores localizados próximos a essas colmeias. “Com base em mapas obtidos no Google Earth, vamos detalhar a paisagem da área a ser trabalhada, com raio máximo de três quilômetros dos apiários. Os apiários serão referenciados geograficamente por meio da Plataforma de Informações sobre Apicultura e Meio Ambiente (GeoApis)”, acrescenta Gazzoni.

A pesquisadora destaca que a metodologia prevê o detalhamento do entorno dos apiários para identificar os componentes da paisagem – reserva legal, área de proteção permanente (APP), cultivos perenes, cultivos anuais, pastagens, entre outros -, cujo objetivo é delimitar os pontos de intersecção e sobreposição das áreas de cultivo e áreas de forrageamento de abelhas em apiários. Segundo ele, será descrito o sistema de produção e as práticas de manejo de cada agricultor, e verificado o cumprimento de todos os requisitos de boas práticas.

A programação do projeto inclui reuniões para acompanhamento das ações, além de capacitação de sojicultores e apicultores para a condução de técnicas, procedimentos e atitudes sustentáveis. “Os produtores de soja serão treinados em práticas fitossanitárias adequadas, envolvendo o manejo de pragas nas culturas (insetos, doenças, nematóides e plantas invasoras). Por outro lado, os apicultores serão treinados em boas práticas apícolas”, diz Gazzoni.

Dentro do planejamento, o pesquisador prevê que a aplicação de agrotóxicos por via aérea será monitorada, com base no plano de voo dos aviões agrícolas, a ser elaborado por empresa especializada. “Queremos que os aplicativos forneçam a proteção necessária para evitar qualquer desvio para as áreas que você deseja proteger”, diz ele. Uma vez validado, o protocolo será convertido em cartilha, que será distribuída tanto para agricultores quanto para apicultores, nas principais regiões do Brasil onde a apicultura está próxima das lavouras de soja.

Soja e abelhas: união benéfica para a agricultura sustentável

A soja está presente em praticamente todas as regiões brasileiras e ocupa aproximadamente 40 milhões de hectares na safra 2021/2022. Assim, em alguns casos, as áreas cultivadas com soja ficam próximas aos apiários fixos tradicionais, ou mesmo aos locais onde as colmeias são colocadas em apiários migratórios.

Apesar do desafio da convivência harmoniosa, ambas as atividades apresentam vantagens. Segundo Gazzoni, por um lado, a floração da soja pode ser utilizada como pasto de abelhas pelos apicultores, principalmente Apis mellifera (a abelha africanizada), em períodos de baixa disponibilidade de alimentos. “Além disso, podemos dizer que, em condições adequadas de visitação, a produtividade da soja pode ser aumentada em cerca de 13% pelo processo de polinização proporcionado pela visitação das abelhas à soja”, diz Gazzoni.

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Para investigar o efeito da polinização por abelhas na produtividade da soja, três experimentos foram instalados no campo experimental da Embrapa Soja, em Londrina (PR), nas safras de soja de 2017/2018 a 2019/2020. Na metodologia foram utilizados três tratamentos: o primeiro permitiu o livre acesso das abelhas na cultura da soja, o segundo consistiu na introdução de uma colmeia de Apis mellifera dentro de uma parcela de soja enjaulada e o terceiro tratamento manteve uma parcela de soja enjaulada sem acesso por abelhas ou qualquer outro polinizador.

De acordo com Gazzoni, a visitação de abelhas durante o florescimento da soja foi monitorada durante todo o período de floração, com contagem de abelhas às 9h, 10h e 11h. “Podemos observar que o maior número de abelhas foi observado às 11h, o que é um indicador importante para o planejamento da pulverização de agroquímicos na soja”, explica. “Nos três anos do estudo, o aumento médio da produtividade da soja, em parcelas engaioladas com colônia de abelhas, foi de 639 quilos por hectare (kg/ha), ou seja, 12,97%, sendo 274 kg/ha (5,58%) nas parcelas abertas, sem gaiolas, quando comparadas às parcelas enjauladas, que não permitiam acesso aos polinizadores”, relata.

Gestão de apiários
Um dos primeiros passos indicados para os apicultores para garantir a produção de mel em quantidade e qualidade adequadas é a manutenção de abelhas saudáveis ​​e colônias com grande número de indivíduos, diz Gazzoni. Nesse sentido, a pesquisadora também considera recomendada a substituição periódica da rainha, o manejo dos favos, o respeito ao calendário floral, a limpeza do entorno e a suplementação alimentar, se necessário. “Recomenda-se que os apicultores façam inspeções quinzenais em suas colônias, para acompanhar seu desenvolvimento e fazer o manejo necessário”, diz.

Outra diretriz é manter uma distância mínima de 500 metros de áreas de trânsito de pessoas e animais, para evitar acidentes. “Os apiários também devem estar a uma distância mínima de 50 metros das áreas de cultivo, para evitar a perda de colônias pela deriva de produtos fitossanitários”, observa. “De preferência, devem ser utilizadas barreiras naturais ao redor do apiário, como capim Napier, arbustos altos como astrapeias, cerca viva, entre outros”, acrescenta.

Quanto ao posicionamento das colônias, Gazzoni explica que para a produção de mel é recomendado o uso de três colônias por hectare estimado de pastagem apícola, já que as abelhas forrageiras buscam alimento em um raio de, no máximo, 2,5 km de distância. “Se houver competição entre as abelhas para a produção de mel, a produtividade pode ser prejudicada. Da mesma forma, apiários sobrepostos devem ser evitados. A distância ideal de um apiário para outro é de 5 km.”

Boas práticas para a soja
No caso dos sojicultores, Gazzoni ressalta a necessidade de respeitar e adotar as recomendações agronômicas para o cultivo da soja em todas as fases da safra. A pesquisadora reforça a importância da aplicação correta de agrotóxicos, observando todos os cuidados necessários para a conservação das colônias de abelhas criadas e, também, de espécies nativas. “O agricultor deve respeitar integralmente as recomendações do Manejo Integrado de Pragas da Soja e ter atenção especial às melhores práticas de tecnologia de aplicação”, orienta.

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A informação é da Embrapa.



Fonte: Agro

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